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IRS Ano a Ano

Atualização automática dos escalões: como funciona o coeficiente

Revisto a por Redação do IRS Ano a Ano. Dados fiscais atualizados a 9 de outubro de 2026.

Desde 2024 os limites dos escalões de IRS sobem todos os anos de forma automática. O artigo 68.º B do Código do IRS, criado pela Lei n.º 34/2024, multiplica cada limite por um coeficiente que junta a variação do deflator do PIB e a variação do PIB por trabalhador. Para 2026 o coeficiente foi 1,0351, uma subida de 3,51% nos limites. As taxas não mudam com este mecanismo.

A fórmula

O coeficiente é o produto de dois fatores: um mais a taxa de variação do deflator do PIB, vezes um mais a taxa de variação do PIB por trabalhador. Os dados são os publicados pelo INE no terceiro trimestre do ano anterior ao do Orçamento, e o valor sai numa portaria do ministro das Finanças.

Na Portaria n.º 322/2025/1, que fixou o coeficiente para 2026, o deflator do PIB variou 3,9953% e o PIB por trabalhador teve uma descida de 0,4627%. O produto dos dois fatores dá 1,035141, arredondado a 1,0351.

Coeficientes conhecidos

Atualização dos limites dos escalões por ano de rendimentos
AnoSubida dos limitesComo foi fixada
20235,10%Lei do Orçamento, antes do artigo 68.º B
20243,00%Lei do Orçamento, antes do artigo 68.º B
20254,62%Lei do Orçamento, ao abrigo da ressalva do artigo 68.º B
20263,51%Portaria do artigo 68.º B
20273,88%Valor noticiado, portaria por confirmar

Para 2025 o artigo já existia, mas o Orçamento fixou os limites diretamente, como a lei permite com a expressão salvo disposição em contrário. Para 2026 foi a primeira atualização automática.

Os escalões de 2027 estimados

Para 2027 foi noticiado um coeficiente de 1,0388, ou seja, uma subida de 3,88%. O número da portaria ainda não foi confirmado por este site. A proposta de Orçamento do Estado para 2027, entregue a 8 de outubro de 2026, confirma esta atualização. O simulador usa esse valor para estimar os limites de 2027, com as taxas da descida proposta para 2026, que a proposta mantém. O resultado é uma estimativa e não lei.

Limite superior de cada escalão
EscalãoTaxa20262027 (estimativa)
1.º12,5%8 342 €8 666 €
2.º15,7%12 587 €13 075 €
3.º21,2%17 838 €18 530 €
4.º24,1%23 089 €23 985 €
5.º31,1%29 397 €30 538 €
6.º34,9%43 090 €44 762 €
7.º43,1%46 566 €48 373 €
8.º44,6%86 634 €89 995 €
9.º48%sem limitesem limite

A mesma atualização vale para as tabelas regionais, porque os Açores e a Madeira usam os limites nacionais com taxas próprias. Na estimativa de 2027, o primeiro escalão dos Açores também acaba em 8 666 €, com taxa de 8,54%. As taxas regionais dependem dos orçamentos das regiões e não do coeficiente.

Porque a atualização importa

Sem atualização, um aumento que apenas acompanha os preços empurra parte do salário para taxas mais altas. Considere um salário de 1 500 € por mês em 2026, com 2 270 € de IRS, que sobe 3,88% em 2027, o mesmo que os limites. Com os limites atualizados pelo coeficiente, o IRS de 2027 seria 2 300 €, taxa efetiva de 10,5%. Com os limites congelados, seria 2 443 €, taxa efetiva de 11,2%. A diferença, 143 € num ano, é o imposto que a atualização evita.

Antes de 2024 este efeito dependia da vontade de cada Orçamento. Em 2012, 2014, 2015, 2019 e 2021, por exemplo, os limites ficaram iguais aos do ano anterior. O artigo sobre inflação e IRS mostra o efeito ao longo de vários anos.

O coeficiente não é a inflação. Em 2025 o IPC subiu 2,3% segundo o INE, e os limites de 2026 subiram 3,51%. Para 2026 a inflação ainda é uma previsão, de 3,1%, e o coeficiente noticiado para 2027 é de 3,88%. O deflator mede os preços de toda a economia e não só os do consumo, e a produtividade pode somar ou subtrair. Por isso o coeficiente pode ficar acima ou abaixo da inflação.

Quando um ano ainda não tem coeficiente conhecido, o simulador usa a média dos coeficientes já publicados, hoje 4,00%. Nas opções avançadas é possível escolher outra percentagem para os anos estimados e ver como muda o imposto.

O que o coeficiente não atualiza

O artigo 68.º B só mexe nos limites dos escalões. A dedução específica dos trabalhadores e pensionistas é um múltiplo do IAS e acompanha o IAS de cada ano. O valor de referência do mínimo de existência é fixado na lei e, nos últimos anos, acompanhou 14 vezes o salário mínimo. As deduções à coleta em euros fixos, como a dedução por dependente ou o limite das despesas gerais familiares, só mudam quando a lei as altera. A taxa adicional de solidariedade também tem limites fixos.

O que diz a lei

A atualização prevista nos números anteriores resulta da aplicação de um coeficiente ao limite inferior e ao limite superior de cada um dos escalões de rendimento coletável previstos no n.º 1 do artigo 68.º, dado pela seguinte fórmula: (1 + t.v. DPIB) × (1 + t.v. PIB/t)

Código do IRS, artigo 68.º B, n.º 3

Tabelas usadas nos exemplos: 2025, 2026, 2027.

Perguntas frequentes

Não. O coeficiente junta a variação do deflator do PIB com a variação do PIB por trabalhador. Pode ficar acima ou abaixo da inflação medida pelo IPC.

Pode. O artigo 68.º B ressalva qualquer lei que altere a tabela do artigo 68.º, como aconteceu no Orçamento para 2025, que fixou os limites diretamente.

A lei manda publicar as taxas de variação numa portaria do ministro das Finanças até 20 de setembro do ano anterior ao dos rendimentos.

Fontes

Simule com os seus valores

* estimativa, ainda sem lei

O valor é

Só para casados com dois titulares, no mesmo período do primeiro.

Opções avançadas

Aplicado ano a ano, de forma composta.

Usa o IPC do INE em vez da percentagem.

Ano de referência do valor

Fim permite indicar o salário atual e ver o passado.

Número de pagamentos

Só para valor mensal.

Define o coeficiente do regime simplificado.

Tributação

Só para casados. Antes de 2015 é sempre conjunta.

Incluídos no total de dependentes.

Idade no ano de referência. Deixe vazio para não aplicar.

Valores do ano de referência; crescem com o aumento.

Rendas ou juros da habitação própria permanente.

Vazio considera o limite da dedução.

Versão das regras
Mostrar valores

Preços constantes do ano de fim, com o IPC do INE.

Mostra o rendimento líquido depois das contribuições.

Vazio usa o coeficiente do artigo 68.º B anunciado ou, sem ele, a média dos publicados (3,88%).

Resultado

Entre 2024 e 2027 pagaria no total 10 398 € de IRS.
A taxa efetiva desceu de 12,2% para 11,3%.
Os valores de 2027 são uma estimativa.

Repor valores

IRS a pagar e taxa efetiva com 1 500 € por mês em 2024, com aumento de 3,88% ao ano

IRS a pagar Taxa efetiva Estimativa Mudança de regime do IRS

Resumo por ano

IRS por ano, valores nominais
AnoRendimento brutoIRS a pagarDiferença face ao ano anterior
202421 000 €2 571 €
202521 815 €2 533 €−38 €
202622 661 €2 629 €+96 €
2027 *23 540 €2 665 €+35 €
Total89 016 €10 398 €

Detalhe por ano

IRS por ano, valores nominais
AnoRendimento brutoDedução específicaRendimento coletávelEscalãoTaxa marginalColetaDeduções à coletaIRS a pagarDiferença face ao ano anteriorTaxa efetivaRendimento líquido
21 000 €4 104 €16 896 €4.º25%2 821 €250 €2 571 €12,2%18 429 €

Passo a passo de 2024

Rendimento bruto
21 000,00 €
Dedução específica
4 104,00 €
Rendimento coletável
16 896,00 €
Escalão
4.º
Taxa marginal
25%
Coleta
2 820,97 €
Despesas gerais familiares
250,00 €
IRS a pagar
2 570,97 €
  • Despesas gerais familiares consideradas no limite.

Tabela de IRS de 2024 Lei n.º 82/2023, de 29 de dezembro (Orçamento do Estado para 2024) Lei n.º 33/2024, de 7 de agosto Lei n.º 34/2024, de 7 de agosto

21 815 €4 462 €17 353 €4.º24,4%2 783 €250 €2 533 €−38 €11,6%19 281 €

Passo a passo de 2025

Rendimento bruto
21 814,80 €
Dedução específica
4 462,15 €
Rendimento coletável
17 352,65 €
Escalão
4.º
Taxa marginal
24,4%
Coleta
2 783,42 €
Despesas gerais familiares
250,00 €
IRS a pagar
2 533,42 €
Diferença face a 2024
−37,55 €
  • Despesas gerais familiares consideradas no limite.

Tabela de IRS de 2025 Lei n.º 45 A/2024, de 31 de dezembro (Orçamento do Estado para 2025) Lei n.º 55 A/2025, de 22 de julho Lei n.º 55 A/2025, de 22 de julho

22 661 €4 587 €18 074 €4.º24,1%2 879 €250 €2 629 €+96 €11,6%20 032 €

Passo a passo de 2026

Rendimento bruto
22 661,21 €
Dedução específica
4 587,09 €
Rendimento coletável
18 074,12 €
Escalão
4.º
Taxa marginal
24,1%
Coleta
2 879,33 €
Despesas gerais familiares
250,00 €
IRS a pagar
2 629,33 €
Diferença face a 2025
+95,91 €
  • Despesas gerais familiares consideradas no limite.

Tabela de IRS de 2026 Lei n.º 73 A/2025, de 30 de dezembro (Orçamento do Estado para 2026) Lei n.º 73 A/2025, de 30 de dezembro Portaria n.º 322/2025/1, de 3 de outubro

23 540 €4 765 €18 775 €4.º23,6%2 915 €250 €2 665 €+35 €11,3%20 876 €

Passo a passo de 2027

Rendimento bruto
23 540,47 €
Dedução específica
4 765,06 €
Rendimento coletável
18 775,41 €
Escalão
4.º
Taxa marginal
23,6%
Coleta
2 914,52 €
Despesas gerais familiares
250,00 €
IRS a pagar
2 664,52 €
Diferença face a 2026
+35,19 €
  • Estimativa: ainda não existe lei para os rendimentos deste ano.
  • Despesas gerais familiares consideradas no limite.
  • Alguns valores deste ano ainda estão por confirmar na fonte oficial.

Tabela de IRS de 2027 Proposta de Lei do Orçamento do Estado para 2027, entregue na Assembleia da República a 8 de outubro de 2026 ECO, 8/10/2026 (fonte secundária) Jornal de Notícias, 9/10/2026 (fonte secundária)

Total89 016 €10 398 €11,7%78 618 €
Média anual22 254 €2 600 €11,7%19 655 €

Os últimos 4 anos

Entre 2024 e 2027 o seu IRS subiu 94 €

São mais 3,6% de imposto num ano. A taxa efetiva passou de 12,2% para 11,3%.

  1. 20242 571 €início12,2% efetiva
  2. 20252 533 €−38 €11,6% efetiva
  3. 20262 629 €+96 €11,6% efetiva
  4. 2027 *2 665 €+35 €11,3% efetiva

Nestes 4 anos pagaria 10 398 € de IRS.

Simulação indicativa. Usa as regras gerais de cada ano e não substitui o simulador da Autoridade Tributária nem a nota de liquidação. O ano indicado é o dos rendimentos: os de 2026 são declarados em 2027.

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